domingo, 10 de agosto de 2008

Um pouquinho de tempo, amor e mundo.




A correria da modernidade me deprime
. Há tempos venho pensando em quanto isso me chateia.
Qualquer pessoa que se permita ter um dia de descanso em contato com a natureza, com a vida irá perceber que essa pressa de estar sempre a frente é altamente prejudicial. Prejudicial à felicidade, à saúde, à vida. Vivemos correndo e não temos mais tempo para nada. Não temos tempo para perceber o desenho das nuvens, o cheiro de um jardim, o sorriso de uma criança; Não temos tempo para acalentar nossos medos no colo de alguém; Não temos tempo para enxergar nossos semelhantes, de importar-se com eles. Isso tudo me apavora porque vejo pessoas perdendo tempo com coisas que ficam, coisas imperecíveis, coisas que nos transformam em coisas. As pessoas precisam resgatar o amor divino, o amor gratuito, o amor saudável. O ritmo do tempo atual acelerou o amor, o dinheiro contabilizou o amor, matando sua beleza, seu mistério. Hoje, temos controle, sabemos por que "amamos", temos medo de nos perder no amor e fracassar no mercado. O amor pode atrapalhar na produção. Hoje as pessoas "amam" por desejo de ter um amor que não sentem mais, "amam" para tentar reproduzir algo de muito belo que viram alguma vez na vida, "amam" para não parecerem tão solitárias nos perfis de sites de relacionamentos. Pode parecer pessimismo, mas as vezes tenho a sensação de que nossos dias melhores nunca virão. As pessoas parecem não se importar mais com nada, é estranho perceber um presente em que as pessoas correm SEMPRE por nada, como se o tempo tivesse ficado mais rápido do que a vida. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. Funcionar é preciso; VIVER não é preciso. E é por isso que toda essa modernidade, tecnologia e capitalismo me anoja, não temos mais tempo para viver, não existe mais dia e noite, isto parece ser luxo do campo- É por isso que um dia vou para bem longe de tudo isso, desse mundo em que tudo perdeu a aura. Sinto uma saudade inexplicável de alguma coisa que existe além, talvez antes da vida. Estou com fome de amor cortês. O amor tinha uma fome de compaixão pelo outro, de proteção à pessoa amada. Isso está acabando. O mundo atual e toda sua modernidade deixam muito a desejar, e aqui não sinto vontade alguma de ficar... Não, eu não vou me adaptar, isso tudo me entedia, me faz desencantar de viver.

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