
Eu não queria sair, não queria falar, não queria comer, não queria ter que sair do meu quarto e desejar "bom dia". Eu queria mesmo era continuar dormindo até cansar, tomar um banho, ficar muda com meus pensamentos, ir à missa ouvir algo que realmente alimente minha alma, só ouvir.
O amor nos dá uma força que nem sei como explicar. Ele chegou devagarzinho ao meu lado e com um sorriso no rosto falou:
-Mana, acorda! Vamos à pracinha?
Pensei em dizer não e continuar dormindo, mas meio contráriada resolvi levantar. Logo em seguida minha mãe:
-Bom dia, "coija linda"!
Fui tomar banho e tomei o café da manhã (sem vontade alguma) pensando: "É, vou ter que enfrentar esse dia, aqui está ele. Bom dia para mim!"
Fui à Praça da República com a família toda, aos poucos o amor que andava meio cabisbaixo foi alimentando o meu dia: o sorriso da Isabela, o carinho da minha mãe, a alegria do meu irmão, a ausência de crítica do meu pai, a compreensão e receptividade da minha irmã, a amizade da prima-cunhada. Quando percebi o sol estava ali, brilhando independente do que eu estava sentindo.
Cheguei em casa já a noite, coloquei o cd do U2, e depois de sei lá quanto tempo, me permiti uma dose de Martini... É o dia foi melhor do que eu imaginava! Obrigada meu Deus por me possibilitar perceber o que há de bom na vida mesmo não estando disposta a abrir os olhos.
Não quero ter “esse medo infantil de ter pequenas coragens”, quero largar o mulherengo Vinicius, e ser Chico, “agora eu era um rei, e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz”.
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